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  • Ômar Souki

A força do diálogo

Nosso sistema imunológico responde positivamente quando nosso relacionamento com a nossa parceira — amiga, namorada, esposa — é saudável. As pesquisas mostram que, após uma conversa amigável, a qualidade de nosso sangue melhora significativamente. A nossa sensação de felicidade depende de um bom relacionamento, assim como o legado que deixamos para nossos filhos. Na vida adulta, eles tendem a reproduzir o tipo de relacionamento que os pais tiveram. Imagine a nossa responsabilidade com relação a nossos filhos. Mesmo assim, em vez de investirmos pesado na melhoria de nosso relacionamento, optamos por largar aquele que não estava dando certo, para iniciar um novo.


O psicanalista Michael L. Moeller afirma que estamos presenciando a morte de casais. Segundo ele, as pessoas iniciam uma vida a dois sem o devido preparo, por isso, logo se separam. Werner Tiki Kuestenmacher e Lothar J. Seiwert, no livro Simplifique sua vida (Editora Fundamento), citam algumas dicas oriundas do trabalho realizado por Moeller para melhorar a nossa relação com o outro. Segundo Moeller, a coisa mais importante para que possamos ter uma vida a dois saudável é o diálogo. Para que essa conversa possa funcionar, ele sugere alguns passos fundamentais:


Horário fixo. Semanalmente o casal deve marcar um encontro para conversar. Ao olhar em minha agenda, verifiquei que tenho várias coisas agendadas relativas ao trabalho e à família como um todo: hora para escrever, datas de eventos e retiros, tempo para a meditação e reflexão, e atividades com a esposa e filhos. Mas nem uma horinha sequer dedicada só para a minha esposa. Segundo Moeller isso é um erro. O casal deve dedicar, no mínimo, 90 minutos por semana para o diálogo.


Ritual fixo. Um deve se sentar em frente do outro. As coisas mais importantes são transmitidas visualmente, isto é, através de mensagens não verbais (postura, feições, movimentos corporais, ritmo respiratório). Tudo que possa interromper deve ser desligado (televisão, telefone, computador, música de fundo).


Turnos fixos. É importante que haja revezamento. Um fala por 15 minutos e depois o outro. Enquanto o parceiro escuta, não faz perguntas, nem mesmo para esclarecer o conteúdo. Só ouve com atenção plena.


Tema fixo. A conversa deve brotar do coração, isto é, deve versar sobre aquilo que mais mexe com as emoções da pessoa. Cada um deve falar apenas de si e de suas percepções sobre o outro. Não deve avaliar o comportamento do outro, se é ruim ou bom, apenas dizer o que sente quando o outro fala ou faz determinadas coisas. Em geral, quando os casais conversam, procuram convencer o outro como ele “realmente” é. Isso deve ser evitado. Cada um vai falar somente sobre suas próprias percepções.


Ao ler essas preciosas dicas, meditei sobre quantos relacionamentos poderiam ser salvos por um investimento de 90 minutos semanais. Mas, um estudo realizado com 76 mil pessoas na Alemanha mostrou que o tempo médio que o casal alemão gasta conversando sobre si mesmo é de 2 minutos por dia. Somando dá 14 minutos por semana. Acho que essa pesquisa, se realizada no Brasil, não mostraria resultado muito diferente. Na realidade, estamos dialogando pouco com as pessoas mais importantes de nossa vida. Só resta concluir que, sim, o diálogo pode salvar um relacionamento, e com ele, muitas vidas!


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Divinópolis, Minas Gerais - Brasil

©2020 por Eduardo Alvim